Discipulado

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Reflexões

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Discipulado - a graça preciosa (parte 2)

Leia a primeira parte desse assunto clicando aqui.



Com a expansão do cristianismo e a secularização crescente da igreja, a consciência da graça preciosa perde-se gradualmente. O mundo estava cristianizado, a graça passara a ser propriedade comum de um mundo cristão. Tornando-se assim barata, caindo no automático, na rotina, formalidade.

O que preservou a graça ainda como preciosa, foi uma má interpretação da mesma. O monasticismo, tolerado pela igreja romana, foi quem manteve com o abandono da vida que possuíam, levando a vida procurando servir os severos mandamentos de Jesus na prática diária. Dessa maneira houve o protesto vivo contra a secularização do cristianismo, contra o barateamento da graça.

Entretanto, pelo fato de ter tolerado a vida monástica, evitando assim uma cisão definitiva na história da igreja romana, a igreja o relativizou, encontrando nele certa justificação de seu próprio mundanismo. A vida monástica restringia-se e transformava-se numa realização especial de caráter individual, que não poderia ser exigida ao povo cristão.

O monasticismo não se enquadra no que o apóstolo Paulo se refere acerca do não casamento para uma vida dedicada. A despeito disso, o monasticismo distanciou-se essencialmente do cristianismo por se deixar transformar ele próprio na realização excepcional, voluntária, restringida a poucos, reivindicando a si mérito especial. Isso não é discipulado, nem graça preciosa, pois a graça não se restringe a alguns.

A história toda mudou por intermédio de Lutero, que na Reforma, avivou uma vez mais o Evangelho da graça pura e preciosa. Mas antes Lutero teve sua vida consagrada totalmente no convento. Ali aprendeu nas escrituras que somente o obediente é que pode crer. As escrituras lhe mostraram que o discipulado de Jesus não era a realização meritória de alguns, mas um mandamento estendido a todos os cristãos.

A graça nos leva ao mundo, não que este seja bom e santo. Estamos na graça piedosa quando não precisamos viver com nosso eu piedoso, com o si mesmo – aquele que quiser vir após mim, negue-se a si mesmo. O discipulado da graça preciosa é para ser vivido no seio do mundo. Essa obediência ao mandamento de cristo deve acontecer na vida profissional todos os dias.

A vocação de cada cidadão no mundo recebe nova legitimidade a partir do Evangelho somente à medida que é exercida no discipulado de Jesus. O que impulsionou Lutero não foi a justificação do pecado, mas do pecador. A graça leva ao serviço, ao discipulado.

Quando entendemos errado a graça caímos no pensamento que, se a graça é suficiente para pagar todos os pecados e me justificar, então se eu viver naturalmente como tenho vivido, tudo como antes, vivendo na certeza que a graça de Deus encobre. O mundo inteiro está se tornando ‘cristão’ nessa premissa, desta graça. A má utilização dessa mensagem de graça conduz à completa destruição.

O desafio hoje é em meio a tanto falatório não se deixar pela facilidade e comodidade, entrar pela graça barata, sem responsabilidade dos atos.

Para esse pensamento sobre a graça preciosa no entendimento de uma vida de discipulado, cito Hebreus 10, que no contexto sobre o sacrifício de Cristo e seu valor eterno, diz a partir do versículo 16 ao 18:  "Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor. Porei as minhas leis em seus corações e as escreverei em suas mentes"; e acrescenta: "Dos seus pecados e iniquidades não me lembrarei mais". Onde essas coisas foram perdoadas, não há mais necessidade de sacrifício pelo pecado.; e acrescenta no versículo 26 e 27: Se continuarmos a pecar deliberadamente depois que recebemos o conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados, mas tão-somente uma terrível expectativa de juízo e de fogo intenso que consumirá os inimigos de Deus.

A fidelidade está imbuída na vida cristã, na vida de discipulado, no reconhecimento da graça preciosa. Dessa forma o escritor aos hebreus finaliza o capítulo.


Mas o meu justo viverá pela fé. E, se retroceder, não me agradarei dele". Nós, porém, não somos dos que retrocedem e são destruídos, mas dos que creem e são salvos.

Hebreus 10:38,39



Por Félix Martins Lírio



Discipulado - a graça preciosa (parte 1)





Quem está inserido no meio eclesiástico, ou já foi abordado pelos agentes das igrejas, já deve saber, por mais que de maneira leiga, o que é GRAÇA.

Muitos utilizam o jargão do favor imerecido. Perfeito. Trilharemos nosso pensamento com essa premissa.

A essência da graça seria que a conta foi liquidada antecipadamente e para todos os tempos e pessoas. Estando, então, a conta paga, pode-se obter tudo gratuitamente. Que tudo? Salvação e comunhão com Deus. Por ser imensuravelmente grande o preço pago, da mesma forma são as possibilidades de uso e dissipação.

Porém o maior inimigo das mentes dos que escutam é a própria graça, mas da maneira ‘genérica’ com que é apresentada: a graça barata. A graça barata significa graça como doutrina, como princípio e sistema; significa perdão dos pecados como verdade geral, irrefutável, o amor de Deus como conceito, repito, apenas conceito cristão de Deus. Quem o aceita já tem o perdão de seus pecados. O mundo, assim, encontra fácil cobertura para seus pecados dos quais não tem remorsos e não deseja verdadeiramente libertar-se.

Isso é a graça barata, institucionalizada. Por isso hoje é tão fácil ler nos noticiários de fofocas os ‘babados’ dos que se ‘tornaram evangélicos’. Confesso que nas linhas que escrevi encontra-se minha luta diária de realidade. A graça barata causa a justificação do pecado e não do pecador. Há um abismo enorme entre uma coisa e outra. Como a graça é autossuficiente, tudo pode permanecer como antes, afinal ‘minha força não faz nada’.

O mundo permanece a girar e nós seguimos pecando, mesmo na vida mais piedosa.

Gosto da ironia carregada nas palavras de Dietrich Bonhoeffer, quando diz: ‘Viva, pois, o crente como vive o mundo, coloque-se, em tudo, em pé de igualdade com o mundo, e não se atreva – sob pena de ser acusado de heresia entusiasta! – a ter, sob a graça, uma vida diferente da que tinha sob o pecado!¹'

Graça barata é graça como refugo, perdão malbaratado, consolo malbaratado², sacramento; é graça como inesgotável tesouro da igreja, distribuído diariamente aos ventos a quem queira congregar, sem pensar e sem limites, sem preço, sem custo.

Esse cenário é graça barata como justificação do pecado, mas não justificação do pecador penitente, que abandona o pecado e se arrepende. Não como perdão que separa do pecado. É barata por ser a pregação do perdão sem arrependimento, do batismo sem a disciplina, da Ceia do Senhor sem a confissão e reconhecimento do pecado – justamente oposto, por se achar bom e não pecador.

Caminho cristão sem discipulado, sem a cruz, sem Jesus cristo vivo.

A graça preciosa, por sua vez, é o Evangelho que se deve procurar sempre de novo, o dom pelo qual se tem que orar, a porta à qual se tem que bater. É como o tesouro oculto no campo. É o senhorio que leva o ser humano arrancar o olho que o faz tropeçar, que faz largar tudo e seguir – mesmo que na continuidade de suas atribuições na sociedade.

É preciosa por custar a vida ao ser humano, e por assim, graça, de lhe dar a vida. Preciosa por condenar o pecado, e por justificar o pecador. Preciosa por ter custado a vida do filho de Deus. “Vocês foram comprados por preço” (1 Cor 6.20). Não foi de graça, foi pela graça! Não pode ser barato para nós aquilo que custou caro para Deus. É preciosa porque Deus não achou que seu Filho fosse preço demasiado caro para pagar pelos nossos erros e vida. A Graça é a manifestação de Deus.


Fique atento, pois esse texto não termina aqui. Acompanhe o site diariamente ou semanalmente. Para obter o conteúdo parte II, clique aqui.





[¹] Extraído do Livro com Título em Português e edição brasileira “Discipulado”, pela editora Sinodal, 2004.
[²] Malbaratado: desperdiçado. Outros sentidos como vender com prejuízo, sem dar valor, desperdiçando, fazendo pouco caso.


Por Félix Martins Lírio




Vida de Discipulado - prefácio




Estamos diante de inúmeras decisões todos os dias. Aliás, nossas decisões nos constroem. Somos frutos de nossas decisões – repito várias vezes com a finalidade de reconhecimento.

Qual filme assistir; qual caminho seguir; qual roupa usar; qual curso universitário optar; que livro ler (raro); em quem acreditar; são decisões a serem tomadas.

Vivemos em uma época que as notícias chegam rápido, mesmo não sendo sempre verdadeira.

Épocas de reavivamento eclesiástico (embora atualmente não se tenha muitos exemplos de movimentos dignos de ser considerados), trazem enriquecimento às pessoas para as sagradas escrituras. Por trás das palavras, por mais humanas que sejam[1], surge uma procura, uma busca decidida por aquele a quem unicamente interessa achar – o próprio Jesus.

Não nos interessa saber as ideias dos expoentes da igreja, mas aquilo que Jesus quer é que queremos descobrir. Em algum momento essa decisão recairá sobre você. Quero que com essa reflexão, se esse momento já chegou ou se ainda é imanente, te ajudar a decifrar. Não considero-me afortunado da verdade absoluta ou da capacidade absoluta de identificar e ser uma espécie de ‘guru’ da revelação.

Alguns identificam com as palavras da Bíblia, ou em reflexão sobre atitudes cotidianas. Comigo demorou certo tempo.

Nos espaços eclesiásticos hoje, se o próprio Jesus e não os métodos para se alcançar algo, se tão somente Ele estivesse em nosso meio na pregação, seria outro o grupo de pessoas a escutar e outro a rejeitá-la. Não que as pregações das igrejas tenham deixado de ser a palavra de Deus; no entanto há muito som estranho, esperanças falsas, falsos consolos, turvando assim a mensagem cristalina de Deus para a salvação, dificultando assim a decisão autêntica. Seria como chupar uma bala com a casca sem ser removida.

A culpa não deve ser procurada nos outros por estar carregada de fórmulas e conceitos estranhos. Há demasiados elementos humanos, cantigas de entretenimento, elementos institucionais, doutrinas de variadas origens. Quem de nós não teria imediatamente as respostas corretas para nos isentar da responsabilidade por aquelas que apontamos como erradas? Não seria também uma resposta correta, se a nós mesmos perguntássemos se não nos tornamos nós o empecilho para a palavra de Jesus?

Como? Com nossas atitudes cotidianas, talvez. Apegamos, também, facilmente a determinadas formulações, a um tipo de comentário, estrutura social, temos dogmáticos, repetindo conceitos Bíblicos mas sem razão alguma de o fazer relegando, assim, outras partes não menos importantes da Bíblia, pregando opiniões e convicções pessoais?

Nada servem perguntas retóricas ou generalizadas e autoacusação. Voltemos às escrituras, partindo da pobreza de nossas convicções, bem como estreiteza de nossas opiniões para a amplitude e a riqueza dada em Jesus Cristo.

De qualquer maneira, minha intenção não é de estar criando algo novo ou chamando a sua atenção ao que já praticamos, instituindo exigências impossíveis, atormentadoras, excêntricas, para ser luxo aos que obedecem e pesadelo aos que preocupados com o sustendo da família, se acharem menos dignos que estes.

Quando as escrituras falam de discipulado de Jesus, proclamam a libertação do ser humano de todos os preceitos humanos, de tudo quanto oprime, de toda inovação para cativar.

A palavra de Deus, os mandamentos de Jesus, são extremamente duros para os que se opõe com a visão distorcida pelos caminhos que tratam a Bíblia como auto ajuda.

Que Deus nos dê discernimento para permanecer com os fracos e os sem Deus em toda a amplitude do amor de Cristo para com todos os seres humanos e trilhar a estreita decisão a passo firme á sermos mais de Jesus em um mundo carente de amor.



Leia aqui a parte 1 e a parte 2.






[1] Por mais humanas: refiro-me às palavras de vontade humana vinda dos líderes eclesiásticos, que por mais que não seja propriamente Bíblicas, trazem um certo padrão moral e/ou de ordem para uma vida melhor.





Por Félix Martins Lírio




Um Ano Novo Todo Dia



A você que está lendo essa pequena e singela mensagem, desejo todo amor, paz, carinho, comunhão e oportunidades. Que esse ano que está entrando possa ser repleto de momentos em que possamos dizer: aproveitei essa oportunidade.

Quem convive comigo de uma forma mais direta sabe que, apesar de minha parte 'ranzinza', há alguém que muito fala em oportunidades e a sobre a morte ser iminente. A vida é uma oportunidade única que muitos perdem em busca de coisas, em busca de ter um sentido para a vida (e a perdem).

Eu gostaria que esse sentimento de final de ano, Natal, e tudo que se passa fosse todos os dias. Imagine como seria a vida se vivêssemos neste clima o ano todo? Vemos que há algumas reações muito peculiares nesta época: traficantes perdoam e poupam a vida de jovens  viciados devedores, há um esforço maior por fazer o bem ao próximo. não é necessário escrever mais nada, já refletimos agora.

O amanhã é incerto. Então vamos viver cada dia como o 'ano novo', oportunidade nova.

Minha oração é para que esse sentimento não pare, que não aconteça somente nas últimas duas semanas do ano.

Que os acontecimentos do ano passado possam servir como incentivo para o ano que está, no calendário, chegando; aprendizado, sabedoria.


A todos, um feliz ano novo todo dia!



Félix Martins Lírio




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Um Natal consciente



Estamos próximos do Natal. Sempre nessa época há um dilema e debate se é certo ou não festejar essa data. Alguns se escondem no argumento das origens da festa. Bem, vamos aqui conhecer os argumentos de cada parte, de forma bem simples.


Os que se posicionam contra a ‘Cristandade’ festejar e celebrar o Natal, se referem às origens da Festa. Culto pagão, Festejar Saturno (Saturnália). Acrescentam que houve um sincretismo dessa festa pagã com o então cristianismo no quarto século, quando Constantino declarou o Cristianismo a religião do império.


A história nos traz esses fatos. Há indícios de mudança de dia de celebração de festas pagãs, ou festas a um ‘santo’. Não vamos olhar os detalhes que não influenciarão ao que realmente importa.


Uma outra posição se defende alegando ser uma festa para celebração do nascimento de Jesus. Segundo o relato bíblico é impossível Jesus ter nascido nessa data, pois na região é frio, e os pastores não estariam no campo. Mas foi atribuído. Assim devemos estar celebrando com alegria essa boa nova para a humanidade, dizem.


Pessoas alegam que a troca dos presentes é originária dos Reis (?) magos (?) que trouxeram ao menino Jesus. Primeiro: eles trouxeram só para Jesus e não para todos; os presentes tem um significado importante (veja o motivo da vinda deles).


A troca de presentes seria sim, mas conveniente com o ato de Saint Claus (Santa Claus – Saint Nicholas e todas as variações) que distribuía presentes (por volta de 6 de Dezembro) às crianças e mulheres.


Voltando ao assunto principal, vou transcrever 4 pontos que Caio Fábio escreveu sobre o Natal:

1. Que Jesus não nasceu no Natal, em dezembro, mas muito provavelmente em outubro.

2. Que o Natal é uma herança de natureza cultural, instituída já no quarto século. De fato, o Natal da Cristandade, que cai em dezembro, é mais uma criação de natureza constantiniana, e, antes disso, nunca foi objeto de qualquer que tenha sido a “festividade” da comunidade dos discípulos originais.

3. Que a Encarnação, que é o verdadeiro natal, não é uma data universal — embora Jesus possa ter nascido em outubro —, mas sim um acontecimento existencial que tem seu início em nós quando cremos que Deus estava em Cristo, e se renova em nós cada vez que vivemos no amor de Deus, confiantes na Graça da Encarnação e na Encarnação da Graça: Jesus, o Emanuel.

4. Que embora o Natal da Cristandade não seja nada além de uma celebração religiosa e sincrética, nem por isso ele faz mal a quem o celebra como quem come o pão e bebe o vinho do Amor de Deus em Sua Encarnação. Isso porque, como qualquer outra coisa, o que empresta sentido às coisas não são as coisas em si mesmas, mas o olhar de quem nelas projeta, simbolicamente, o seu próprio coração.

Assim, que cada um tenha o Natal que em si mesmo tiver sido gerado!


Vemos que no livro de Ester, uma data que seria e matança dos judeus com celebração e posse dos bens pelos adversários, depois foi instituída como uma festa de alegria para os Judeus, por serem libertos disso – festa de Purim.


Posso compreender aqueles que querem ser rigorosamente cristãos - mas caem na religiosidade. Não querem ter ligação com o mundo e qualquer raiz pagã que possa repousar sob a celebração do Natal, mas não me posiciono da mesma maneira nesta questão. Como falou John Piper, “chegamos a um ponto onde as raízes já estão distantes de tal forma que o significado presente não carrega mais nenhuma conotação pagã. Fico mais preocupado com um novo paganismo que se sobreponha a feriados cristãos”.


Se tomarmos como base excluir tudo que provem de um possível paganismo, vamos ter de repensar muitas coisas. Um exemplo:


Todo idioma tem raízes em algum lugar. A maioria dos dias da semana [em inglês] —se não todos— saíram de nomes pagãos também. Então deveríamos parar de usar a palavra “Sunday” (domingo) porque ela pode ter estado relacionada à adoração ao sol em um tempo distante? No inglês moderno, “Sunday” (domingo) não carrega aquela conotação, e é a própria natureza do idioma. De certa forma, os feriados são como a linguagem cronológica.


Agora obtemos a celebração do nascimento de Jesus, do Messias. Nós achamos que o nascimento, a morte e a ressurreição de Cristo são os eventos mais importantes na história humana. Seu nascimento mudou até mesmo a contagem do tempo na história. Sua morte e ressurreição fundamentam o Cristianismo. Não celebrá-los de alguma forma poderia ser uma insensatez (retorno às palavras de Caio Fábio quando se refere ao nascimento de Cristo nas pessoas).


Realmente vale o risco, mesmo que a data de 25 de Dezembro tenha sido escolhida por causa de sua proximidade com algum tipo de festival pagão. Vamos apenas tomá-la, santificá-la e fazer o melhor com ela, porque Cristo é digno de ser celebrado em seu nascimento. Como na profecia Bíblica, um menino nos nasceu e seu nome será maravilhoso, conselheiro, Deus forte, príncipe da Paz.


Que nessas festas possamos estar celebrando com alegria e espalhando os atributos de Cristo de forma consciente. Que o amor sobreponha qualquer tipo de interpretação.



Imagem www.examiner.com / caiofacio.net / desiringgod.org /


Por Félix Martins Lírio




A Reforma Protestante




Há muito material histórico sobre a reforma protestante disponível hoje – bem organizados e dignos de muita confiabilidade. Alguns concentram-se apenas em Lutero no momento de descrever a reforma. A intensidade da chamada reforma protestante não é em Lutero, pois nada se constrói sem uma base.

Chamamos de antecedentes o que serve de pano de fundo de toda história. Podemos apontar o final da idade média, com o surgimento dos estados nacionais. Posterior e simultâneo, o declínio do papado com o pontífice Bonifácio VIII (1285 – 1314). Tudo desenrolou para o ‘Grande Cisma’.

Para detalhes sobre o assunto, acesse http://www.mackenzie.br/6962.html.

Descrevo em tópicos para que possamos ressaltar pontos que culminarão no objetivo da reforma.


Primeiros Movimentos de Reforma


Nos séculos XIV e XV desenrolaram alguns movimentos de protesto contra vários ensinos e práticas da Igreja Medieval. João Wycliff (1325?-1384), um sacerdote e professor da Universidade de Oxford, na Inglaterra, encabeçou um. Ele atacou as irregularidades do clero, principalmente sobre as superstições (relíquias, peregrinações, veneração dos santos), bem como a transubstanciação, o purgatório, as indulgências, o celibato clerical e as pretensões papais.

Abro parênteses aqui para trazer a memória uma comparação com as igrejas contemporâneas em relação ás superstições e misticismos.

Influenciado pelos escritos de Wycliff, ele que era sacerdote e professor da Universidade de Praga, João Hus (c.1372-1415), também encabeçou um movimento importantíssimo. Afirmava que todos os eleitos são membros da igreja e que o seu cabeça é Cristo, não o papa. Insistia na autoridade suprema das Escrituras. Hus foi condenado à fogueira pelo Concílio de Constança. Seus seguidores foram os precursores dos Irmãos Morávios, outro grupo protestante cujas raízes são anteriores à Reforma do século 16. Outro que deve ser ressaltado entre os pré-reformadores é Jerônimo Savonarola (1452-1498), um frade dominicano de Florença, na Itália, que pregou contra a imoralidade na sociedade e na Igreja, inclusive no papado. Governou a cidade por algum tempo, mas finalmente foi excomungado e enforcado como herege.


A Reforma - contexto social e religioso


Havia muita violência, baixa expectativa de vida, profundos contrastes socioeconômicos e um crescente sentimento nacionalista. Com isso muita insatisfação, tanto dos governantes como do povo, em relação à Igreja, principalmente ao alto clero e a Roma. Na área espiritual, havia uma religiosidade baseada em obras, aparência, pagamentos.


Os pagamentos não eram apenas para o perdão dos pecados. Na divisão de cargos eclesiásticos em um cenário mais podre que as patentes usadas, uma família comprou uma autorização do papa Leão X, para um nobre, Alberto, que pela idade, por ser leigo e outros motivos políticos não poderia ocupar uma cadeira de arcebispo. Resolvido isso, tão logo foi instalado no seu cargo, Alberto encarregou o dominicano João Tetzel de fazer a venda das indulgências (o perdão das penas temporais do pecado) para com uma parte pagar as dívidas da família para compra do seu cargo e o restante para obra da Catedral de São Pedro em Roma. Quando Tetzel aproximou-se de Wittenberg, Lutero resolveu pronunciar-se sobre o assunto.



Martinho Lutero (1483-1546)



Martinho Lutero nasceu em 1483 na cidade de Eisleben, na Turíngia. Pretendia seguir a carreira jurídica, até que em 1505 defrontou-se com a morte em uma tempestade e resolveu abraçar a vida religiosa. Ingressou no mosteiro agostiniano de Erfurt, onde se dedicou a uma intensa busca da salvação. Em 1512, tornou-se professor da Universidade de Wittenberg, onde passou a ministrar cursos sobre vários livros da Bíblia, como Gálatas e Romanos. Isso lhe deu um novo entendimento acerca da “justiça de Deus”: que não era apenas uma expressão da severidade de Deus, mas do seu amor que justifica o pecador mediante a fé em Jesus Cristo (Rm 1.17).


No dia 31 de outubro de 1517, diante da venda das indulgências por João Tetzel, Lutero afixou à porta da igreja de Wittenberg as suas Noventa e Cinco Teses, a maneira usual de convidar-se uma comunidade acadêmica para debater algum assunto. Uma cópia das teses chegou às mãos do arcebispo, que as enviou a Roma. No ano seguinte, Lutero foi convocado para ir a Roma a fim de responder à acusação de heresia. Recusando-se a ir, foi entrevistado pelo cardeal Cajetano e manteve as suas posições. Em 1519, Lutero participou de um debate em Leipzig com o dominicano João Eck, no qual defendeu o pré-reformador João Hus e afirmou que os concílios e os papas podiam errar.


Em 1520, a bula papal deu-lhe sessenta dias para retratar-se ou ser excomungado. Os estudantes e professores da universidade queimaram a bula e um exemplar da lei canônica em praça pública. Nesse mesmo ano, Lutero escreveu várias obras importantes, especialmente três: À Nobreza Cristã da Nação AlemãO Cativeiro Babilônico da Igreja e A Liberdade do Cristão. Isso lhe deu notoriedade imediata em toda a Europa e aumentou a sua popularidade na Alemanha. No início de 1521, foi publicada a bula de excomunhão.


Nesse ano, Lutero compareceu a uma reunião do parlamento, a Dieta de Worms, onde reafirmou as suas ideias. Foi promulgado contra ele o Edito de Worms, que o levou a refugiar-se no castelo de Wartburgo, sob a proteção do príncipe-eleitor da Saxônia, Frederico, o Sábio. Ali, Lutero começou a produzir uma obra-prima da literatura alemã, a sua tradução das Escrituras.


Implicações Práticas


A motivação de todos os reformadores não foi política ou denominacional como vemos hoje. Eles não buscavam inovação mas restaurar antigas verdades bíblicas que haviam sido esquecidas ou obscurecidas pelo tempo (leia-se pela ambição dos líderes – nada como hoje) e pelas tradições religiosas e humanas. Sua maior contribuição foi chamar a atenção para a importância das Escrituras, especialmente no que diz respeito à salvação e à vida cristã.


Para que as Igrejas Evangélicas atuais possam manter-se fiéis à sua vocação, é preciso que julguem tudo pelas Escrituras e não interpretando pelo achismo. Os reformadores nos mostraram que o critério da verdade não são os ensinos humanos, nem a experiência espiritual subjetiva, mas o Espírito Santo falando na Palavra e pela Palavra.

A história da Reforma não é conto de fadas e nem ‘zen’, ‘numa boa’ como imaginamos. É o relato inconformado, um atrito entre a verdade e o comodismo, para não falar canalhice por parte dos ‘coronéis da fé’. Nem sempre é agradável, mas inspiradora.

Por causa das profundas conexões entre elementos religiosos e políticos, esse período foi marcado por muita violência em nome da fé. Porque a religião cega as pessoas, as paixões que desperta podem se tornar terrivelmente destrutivas, ainda mais somadas com poder e política. Sigamos nós, com o objetivo da reforma, ter a motivação de Cristo.

A reforma não parou por aí. Ela seguiu. Falaremos ainda no site sobre Ulrico Zuínglio, os Anabatistas, João Calvino, e todo reflexo da ação desses homens.





Por Félix Martins Lírio








Discipulado em esboço



A vinda de Jesus ao mundo teve como propósito o sacrifício expiatório. Em sua vida dedicou-se na formação de alguns discípulos, e estes para agirem da mesma maneira até que o Evangelho do Reino alcançasse o mundo todo. Eram homens simples, e no período que Jesus os ensinou, não estavam totalmente cientes do propósito de Jesus e nem de sua morte precoce.


Contudo, o estilo de vida de Jesus foi o modelo a ser imitado por todos eles. O discipulado não se restringe à mudança comportamental total. É muito mais comportamental do que visual. A maneira ‘visual’ do discipulado em nossa vida fica condicionada aos dons de cada indivíduo e ao papel de cada um na sociedade onde está inserido. Somos chamados a desempenhar um papel condizente com nosso estilo de vida e vocação.


Não preciso obrigatoriamente ser o melhor comunicador e mais espontâneo a partir do discipulado. Meu caráter e a essência dos atos devem refletir Jesus no meu círculo de amigos e pessoas com quem me relaciono através do trabalho. Não são todos os que tem o chamado específico ao pastorado de maneira integral.


Lamentavelmente, poucos entendem significado, especialmente quando diz respeito ao modo de vida. Alguns líderes de igrejas não têm a menor ideia do que seja ensinar alguém a observar e a guardar tudo o que Jesus ordenou. Assim, não causa surpresa o fato de muitas pessoas não conseguirem ir muito longe em sua peregrinação de fé, nem aprenderem a construir uma sociedade melhor.


O ‘siga-me’ de Jesus aos discípulos tinha por objetivo a aplicação integral ao ministério, e a partir deles, todo desencadeamento para que o Evangelho do Reino chegasse aos confins da terra. Ressalto que nos evangelhos vemos várias pessoas que participavam ativamente do ministério de Jesus e do reino sem estar no chamado integral.






Por Félix M. Lírio